Sobre os dias atuais...
A atualidade tem sido inconstante.
As informações mudam a cada segundo, as pessoas seguem tendências, as decisões são tomadas com tanta firmeza e no fim não tinha nem mesmo um porcento da verdade real, é tanto senso comum que a ciência fica esquecida, afinal, quem precisa de remédios, médicos, vacina?
As redes sociais viraram palco de realitys show, telas grandes de filmes da vida real, tem de tudo ali dentro. Até mesmo estudos sem comprovação científica, mas baseado no que eu vivo e posto como verdade absoluta pode ser vendido. Ali eu encontro mestres em economia, empreendedores bilionários, influencer que traz um recorte do luxo em que vive e me comparo todos os dias me perguntando: o que tenho feito para que minha vida não alcance o mesmo mérito?
Ah!, claro! A meritocracia!!! Como eu poderia esquecer?! Culpa minha ter nascido em família de classe média baixa, não ser herdeira, não ter as mesmas 24h... a meritocracia de nascer em berço de ouro, sim... a culpa é minha.
E então eu estudo, porque, segundo a minha mãe, minhas tias, minha madrinha, minhas amigas, minhas professoras e tantas outras mulheres que passaram por minha vida: estudar a melhor opção para ter uma vida melhor, uma vida digna.
E daí que aquela conhecida minha fez um vídeo engraçado, postou em suas redes, viralizou e ficou milionária?
E daí que aquela moça cantou um trecho de uma música de sua autoria, lacrando em fechamento com uma minoria tão esculachada da sociedade brasileira, mas quando finalmente ficou famosa e colheu os frutos do que lhe foi dado, entendeu que era melhor romper com esse laço e abraçar pautas de uma galera que também lhe esculacha com uma sutileza agradável?
E daí, que agora qualquer porcaria faz fama?
Não é possível que eu não consiga fazer algo entre o acordar de madrugada para pegar busão lotado, trabalhar 8h/dia, pegar outro busão lotado para ir à escola ou faculdade, chegar em casa e ainda ter que dar conta da terceira jornada de trabalho antes de finalmente poder dormir e viver tudo novamente no dia seguinte.
E enquanto eu me pergunto o que fazer continuo a estudar, buscando compreender esses processos da atualidade para não me perder, para saber em que lugar estou, como me aproximar, o que fazer e, acima de tudo, como me defender desse tanto de estímulo que me puxa cada vez mais pra baixo.


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Não se cale!