Sobre as pequenas coisas...
Entender que eu não estava me olhando, me percebendo e me acolhendo abriu uma porta de possibilidades e autodescobertas um tanto quanto dolorosa em meu peito.
Lembro de ser descrita, muitas vezes, como uma pessoa que tenta. Ser uma pessoa de muitas tentativas, de dar a cara a tapa, de ser amiga, de querer o outro sempre bem e isso é um sentimento genuíno. Eu sou mesmo essa pessoa.
Mas eu não estava pronta para entender que eu não procurava isso em mim.
Desde então eu busco captar as pequenas coisas em torno de mim.
Observar os detalhes que fazem de mim quem eu sou.
E eu não estou falando apenas da estética, de aparência física.
Estou falando sobre aprender a me enxergar.
E ontem, sozinha em casa, ficava pensando nesses "pormenores" e enquanto eu pensava, fui fazendo minhas coisas de casa. Fui limpando a casa, a cozinha, arrumando meu cantinho e fui ruminando e dissecando meus sentimentos.
Em um momento em que a fome falou mais alto eu pensei "por que não fazer uma pipoca amanteigada?" e lembro de sentir uma certa tristeza por estar sozinha e não ter minha digníssima para fazer essa pipoquinha pra mim, mas levando em conta que eu sou uma pessoa de tentativas, me arrisquei.
Para muitos isso pode ser só uma besteira, mas dentro de mim fogos de artifícios estouraram como se fosse Ano Novo.
Fazer a pipoca amanteigada, do jeito certo, estourando quase todos os milhos, me ajudou a entender que eu sou capaz de realizar pequenos atos por mim.
Eu cuido dos meus cabelos porque acredito que eles me valorizam em aparência, e esse "pequeno" ato é um autocuidado.
Quando eu decidi que precisava melhorar minha alimentação, para ajudar meu corpo na busca de uma saúde melhor (aqui eu confesso que ainda estou tentando), também foi um cuidado comigo e minha saúde física e mental.
Entre tantos outros cuidados que eu não havia entendido como tal.
Eu realmente não tenho olhado muito para mim, mas algumas pequenas coisas que eu observei ao longo desses dias deixaram as portas da reflexão e autodescoberta escancaradas para que eu tenha noção de que o caminho já existe, eu só preciso praticar mais.
E tudo bem se eu não conseguir fazer isso de uma hora para outra, porque eu não aprendi a cuidar de mim sempre. Eu aprendi a cobrar e entregar os resultados positivos, independente da ocasião, porque não era mais do que a minha obrigação.
Durante muito tempo foi apenas uma obrigação.
Hoje eu entendo que me cuidar é uma obrigação minha também.
Mas não precisa ser uma obrigação pesada.
Preciso me cuidar, da mesma forma que cuido dos outros.
Preciso me entender, da mesma forma que entendo os outros.
Preciso me ouvir, da mesma forma que escuto os outros.
Eu só preciso viver bem comigo mesma.


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