Sobre Wall-E, tecnologia, planeta Terra, seus recursos e o homem...
Eu tenho visto muitas notícias sobre o clima, meio ambiente, destruição, avanços tecnológicos, emburrecimento coletivo e tudo isso deu um nó gigante em minha cabeça. Então, eu decidi assistir a um filme para regular minha mente, me distrair de tanto desastre, mas, como tenho uma mente sugestiva e estou nostálgica, fui assistir a Wall-E, da Disney.
Para quem não lembra, Wall-E é uma animação da Disney, lançada em 27 de junho de 2008, que narra a história de um robô encarregado de compactar o lixo no planeta Terra, depois que a humanidade deixou o planeta para viver no espaço, em uma espaçonave, pois a Terra havia se tornado inabitável diante de tanta poluição e gases tóxicos presentes na atmosfera. O filme se desenrola a partir da chegada de Eva, um robô moderno, em busca de algo que sinalizasse aos seres humanos que poderiam retornar ao seu planeta de origem.
Enquanto assistia ao desenrolar do romance entre dois robôs e à tentativa de entregar a muda de planta em uma bota para sinalizar que havia possibilidade de retorno para o planeta Terra, fui pega por alguns detalhes que rolavam em segundo plano e que, sinceramente, eu não prestei atenção das outras vezes em que assisti. Percebi que a presença de Wall-E na espaçonave foi fundamental para que as pessoas acostumadas às telas se conectassem umas com as outras de verdade, se conhecessem.
Observar, em segundo plano, as pessoas presas às telas, seguindo apenas comandos de voz ou clicando em um botão, sendo guiadas por sugestões vindas das próprias telas sobre cor de roupa e alimentação, por exemplo, me fez perceber que, em 2008, uma animação nos apresentava coisas que nos são familiares em 2026.
Além disso, esse detalhe me fez questionar a forma como usamos a tecnologia, algo que surgiu para nos auxiliar em demandas e tem tornado nossas vidas tão fáceis que estamos esquecendo de que somos capazes de realizar pequenas coisas, como escrever uma frase inteira com nossas próprias mãos. Ou interpretá-las. E isso fica claro quando, em um momento do filme, o capitão faz uso da tecnologia para entender sobre a Terra, pesquisar sobre como ela era, quais eram os costumes dos humanos quando lá viviam.
O filme, em 2008, já trazia uma crítica muito forte com relação ao meio ambiente e à forma como usamos os seus recursos e deixa claro que é nosso dever cuidar e proteger o meio em que vivemos, pois somos parte dele, não apenas hóspedes. A quantidade de lixo produzida, a ponto de a humanidade precisar se retirar do planeta, me fez questionar sobre a nossa grande necessidade de consumir sem pensar nos impactos que isso pode trazer para as nossas vidas.
Hoje, graças aos estudos e às pesquisas, conseguimos ter combustíveis menos poluentes e temos opções de energias sustentáveis. Mas já desgastamos o suficiente do planeta Terra com nossa necessidade descabida de ter o que não nos é, de fato, necessário. Ostentamos muito, vivemos e aproveitamos pouco. Tiramos as árvores para construir casas, mas esquecemos que sem elas fragilizamos os ciclos biológicos importantes. Ocupamos espaços, espantamos os animais para a nossa conveniência e esquecemos que suas presenças são essenciais para que o equilíbrio dos ecossistemas aconteça. Não à toa, presenciamos mudanças climáticas extremas, poluição em massa, animais em extinção e a degradação do nosso próprio lar.
Além disso, traz uma crítica sobre o uso excessivo da tecnologia e o quanto ela é capaz de nos limitar em nossas habilidades desenvolvidas ao longo de nossa existência.
Nos dias atuais, é possível perceber a regressão em nosso cotidiano. Percebo que as conversas e brincadeiras entre crianças têm se tornado escassas, a socialização tem se tornado digital e nem sempre é enriquecedora. As trends e os vídeos curtos, com informações confusas, cores vibrantes, estímulos constantes e o imediatismo de encontrar aquilo que procuramos, têm me feito questionar o quanto estamos nos habituando a receber tudo pronto, até mesmo o pensamento.
Cabe a nós, assim como em Wall-E, olharmos para a Terra como parte dela e não apenas como hóspedes de passagem.
Cabe a nós olhar para as tecnologias e entender que elas são ferramentas importantes, mas não são o nosso ponto final.
Cabe a nós, enquanto seres humanos, fazer uso da nossa ferramenta mais preciosa, o cérebro, e buscar alternativas viáveis que não nos levem a viver em uma espaçonave por 700 anos.


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