Sobre a expectativa...
Há um tempo eu escrevi sobre a decepção e a sua relação com a expectativa.
Escrevi de modo geral, contei um caso que aconteceu comigo e deduzi que a "expectativa é a mãe da decepção" (Leite, Ana Letícia; 2021).
E de fato, não há erro nesta dedução.
A expectativa criada sobre algo pode gerar uma decepção dependendo do resultado final.
Mas hoje eu não quero falar sobre as expectativas que eu tinha sobre um futuro planejado que precisou ser interrompido e por isso eu me decepcionei.
Hoje eu quero falar sobre a dor de entender o quanto eu vou precisar me reorganizar para reestrurar esses planos em carreira solos. Eu quero falar sobre a dor de olhar para um projeto de uma casa tão sonhada e entender que a expectativa de vê-la pronta se tornou uma decepção tão grande por saber que não estarei lá quando for finalizada.
Eu quero falar sobre a expectativa de criar uma coleção de receitas salvas para possíveis jantares em datas especiais que ficarão esquecidas, pois não faz mais sentido guardar.
Eu quero falar da dor que é olhar para cada plano, conversa, detalhe que criaram uma grande expectativa de uma vida que eu tanto sonhei e entender, agora, que foi um sonho solo, unilateral.
Eu quero falar de como a expectativa pode ser cruel conosco, ao ponto de nos cegar, mesmo quando a verdade está na nossa frente.
Mas eu sei que ela, a tal da expectativa, não é de todo ruim. Porque, veja bem, mesmo dentro do olho do furacão, eu ainda tenho algumas expectativas aqui.
Algumas me causam medo, outras trazem aquele frio na barriga já conhecido.
Mas até tudo se organizar de verdade, eu sigo com esse gosto amargo e ruim da expectativa que me deixa com uma dor no peito, um aperto no coração e com medo do próximo passo.
Até tudo isso passar, sei que ainda vou sentir pulsar latente aqui dentro a dor expectativa criada em torno de uma vida que não se concretizará.
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