Sobre nós....



Na madrugada de 17/10 você disse que acabou. Nesse mesmo dia eu fiquei sozinha, você disse que precisava pensar e eu também. Eu chorei. Eu chorei por mim, por você, pelo nós que eu sentia ainda pulsar latente em meu peito.

Em 18/10 você saiu cedo e eu fui almoçar com minha irmã. Passei o dia com ela, ainda processando suas palavras que ecoava em minha mente. Eu assisti um jogo frustrante, bebi e voltei pra casa perTo das 22h. O peso do dia anterior parecia doer mil vezes mais. Eu chorei e me perguntei "por que?", eu tinha tanta certeza desse nós que entender que ele desatou, que acabou, não parecia o correto. Precisei bater na minha cabeça para parar de pensar, precisei tomar remédios para dormir, sim remédios, no plural; e só depois de quase três horas, senti o corpo ceder ao cansaço. 

Mas não foi o suficiente.

Acordei de madrugada, senti sua falta, quase mandei mensagem e então eu lembrei: acabou. O choro voltou mais forte, mas eu precisava seguir.

Em 19/10 pedi por mais uma conversa, minha cabeça ainda não conseguia encaixar as informações direito. Sai da conversa do mesmo jeito que entrei: coração palpitando, mente confusa e muita dor na alma. 

Em 20/10 eu tive um sonho bom, gostoso e acordei triste por saber que ele não era real. Te pedi um abraço e você me deu, mas não tive coragem de falar que o sonho era sobre nós, preferi dizer que era sobre mim, porque não valia mais a pena compartilhar algo assim. Nesse mesmo dia você foi embora, disse que precisava de espaço e mais uma vez me deixou com meus piores pensamentos e com todos os meus recursos para a autodestruição. Nesse dia ainda encontrei uma amiga que me abraçou, me ouviu, me aconselhou e me fez chegar em casa em segurança.

Em 21/10 eu chorei de novo, lutando bravamente contra todos os pensamentos ruins que me cercaram, contendo todos os impulsos de autodestruição. Foquei no meu trabalho, nas minhas crianças, no meu filho que vem sentido a sua falta, mas eu tenho me esforçado pra ser o suficiente para ele também.

Em 22/10 meus pensamentos venceram. A partida de minha amiga completava 2 meses, somei isso a todas as perdas que tive esse ano e o choro não foi o suficiente, precisei agir. Agi sem pensar, de maneira inconsciente. A cabeça bateu na parede até machucar, unhas arranharam braços e pernas até romper a pele e quando eu percebi, o furacão já tomava conta de mim, então liguei pra sua mãe. A única pessoa que teria potencial de me cuidar mesmo de longe. Com ela eu chorei, desabafei e encontrei a paz que eu precisava pra conseguir dormir sem pensar, sem sonhar, sem sofrer pelo "nós" que desatou.

Em 23/10 eu ainda acordei chorosa, pensando no "nós" e em todos os nós que coletamos ao longo de 8 anos. Em todos os nós que eu planejei, cuidei e apertei. Apertei tanto que está preso dentro de mim, preso de uma forma tão forte que eu não consigo afrouxar para soltar. Mas eu sei que preciso deixar ir.

Preciso deixar soltar os nós, porque a outra ponta já foi solta, então preciso aprender a escolher deixar ir, porque o outro lado já escolheu desistir de mim.

Segurar a ponta do lado de cá está fazendo minhas mãos se machucarem e está me destruindo por dentro.

Então eu vou soltar, eu sei que vou soltar. 

E espero que, quando eu soltar, isso aconteça por estar escolhendo a mim também.

Enquanto o "nós", deixarei guardado em alguma gaveta no fundo do cérebro, até que a ferida não doa mais.

Comentários

Postagens mais visitadas